Os bastidores dos infográficos do IG

Trabalhando nesse mercado de internet, é natural que a gente dê uma olhada com mais atenção nos diversos players existentes nos dias de hoje. Entre eles, posso dizer com tranquilidade que o iG  é um dos portais que mais tem investido na produção de informação própria, com qualidade. O resultado pode ser visto nas reportagens publicadas pelo portal e principalmente pelos infográficos.

Arte: um andar inteiro dedicado a ela no iG

Faz alguns dias que a equipe de infografia do iG me recebeu em seu andar exclusivo na sede da empresa, no Itaim, região nobre de São Paulo. Foi lá que, entre um papo e outro, essa trupe de feras abriu suas telas para a curiosidade de quem sempre quis saber como são feitos aqueles gráficos animados que vira e mexe aparecem na capa do portal. Também não raramente, levam prêmios internacionais.

Guilhermes Damian, editor de infografia (mais conhecido como Guilhes), foi o meu guia. Primeiro, falamos sobre as mudanças editoriais no Jornalismo do iG, o que consequentemente resultou na ampliação do departamento de infográficos do portal.

E por departamento, é isso mesmo o que eu quero dizer. O iG adotou a infografia como um setor próprio, uma diretoria que ainda assim está a serviço do  Jornalismo do portal. Uma atitude arriscada, tenho que dizer, já que essa é uma prática considerada meio incomum no mercado de comunicação. No entanto, deu supercerto para o iG e conseguiu distanciar esse veículo dos seus tradicionais concorrentes.

Chegada da infografia no iG

Guilhes conta que o projeto para ampliar o setor de arte do portal remonta a 2009, quando surgiu o desejo — e a necessidade, suponho — de fornecer um portal com conteúdo de qualidade mais elevada. Quem acessava o Último Segundo naquela época sabe do que eu estou falando. “Queríamos transformar o iG em referência”, diz, sendo que a infografia foi um dos meios encontrados para isso.

Photoshop reina absoluto

Durante o primeiro ano, a equipe de infografia aprendeu o que funciona e o que não funciona nesse tipo de conteúdo. Você pode até achar que produzir um infográfico é tarefa fácil, mas as coisas não são bem por aí. Existem pautas frias, pautas quentes, assuntos sazonais, e por aí vai. Guilhes conta que, depois desse ano, os encarregados da arte dentro do iGdesenvolveram uma espécie de feeling para aquilo que dá certo (ou não).

O “infográfico editorial”, explica Guilhes, é aquele que conta uma história. Geralmente é uma pauta fria — motivada mais pelo interesse do repórter pelo assunto do que por um acontecimento recente — que requer uma rápida representação gráfica para explicar melhor o que aconteceu.

Outro tipo de infográfico descamba para “visualização de dados”. Segundo o editor, “se pega dados do Excel e coloca-se essa informação de maneira minimamente dolorosa. Nossa intenção não é embelezar”. O resultado são infográficos interativos, como o que mostra o raio-x do Mercosul.

“A gente sempre bate na tecla de simplificar as coisas”, afirma Guilhes. É bem por aí que tem que ser, de modo a evitar a dispersão do leitor logo depois que ele vê a abertura daquele conteúdo interativo.

Após praticamente dois anos desde que projeto de revitalização do Jornalismo gráfico do iGcomeçou, bons frutos foram colhidos. A equipe cresceu: atualmente são 13 profissionais especificamente desenvolvendo infográficos, entre designers, ilustradores e programadores. Além disso, outras dez pessoas estão encarregadas da parte de interfaces, que também responde ao departamento de arte do portal.

Antes, no papel, e depois, na tela do Mac

O reconhecimento do público pode ser medido por meio dos pageviews, que revelam a quantidade crescente de pessoas visualizando os infográficos. Embora sejam segredo de estado, o iG tem bons motivos para comemorar esses números.

A coroação do departamento de infografia veio em março desse ano, quando dois trabalhos criados por ele, um sobre o carro do futuro, o outro sobre os piores acidentes aéreos do mundo, levaram medalha de bronze no prêmio Malofiej, considerada a premiação mais importante da categoria no mundo. E essa não é a primeira vez que o iG traz as medalhas para o Brasil, embora nunca tenha saído do bronze.

Fazendo o infográfico

Conforme explica o Guilhes, o processo de produção de um infográfico (seja interativo, seja mais simples) é basicamente a ordem de chegada. Geralmente eles aconselham os repórteres a irem até o andar onde a equipe de arte fica, na sede do iG, para discutir o que pode ficar infográfico e o que deve seguir como reportagem tradicional.

Uma vez que a pauta seja aceita, ela entra numa fila de espera que depende sempre do ritmo de produção dos infográficos. Como as pautas frias prevalecem, pode-se dizer que a equipe de infografia não tem desespero em finalizar os conteúdos interativos (até porque eles prezam bastante pela qualidade, Guilhes faz questão de destacar durante toda a entrevista).

Prancheta digitalizadora: a forma mais fácil de desenhar no Photoshop

E se uma urgência aparece? Nesses casos, somente duas pessoas têm o poder de modificar a fila para produção de infográficos. Uma delas é o diretor do Jornalismo no iG, Luciano Suassuna. A outra é o publisher do portal, Roberto Gerosa, que responde pela identidade editorial do veículo. Se nenhum dos dois assinar a decisão, simplesmente não existe maneira de furar fila. Uma disciplina que, no fim das contas, faz bem para todos.

Flash vs. HTML 5

Quem disse que criar infográfico é um trabalho apenas jornalístico? Embora muito do Jornalismo possa ser empregado nessa atividade, escolher as ferramentas e recursos certos é fundamental para que tudo saia do jeito esperado. Sem falar que, no geral, boas escolham minimizam o tempo que profissionais despendem para cumprir uma tarefa.

Dito isso, tenho certeza que você não vai se espantar com as fotos do centro de infografia doiG. Macs, Macs, Macs! Lá estão diversas máquinas definitivamente abençoadas pelo nosso querido Steve Jobs, com poder de processamento que permita dar conta das imagens que, depois de desenhadas no papel e capturadas no computador, vão parar em um dos principais portais de conteúdo do país.

Não descobri quais são as especificações dos equipamentos, mas só de ver que esses caras usam os mesmos aplicativos que você pode instalar na sua máquina de casa, já dica evidente que a tecnologia até ajuda, mas a criatividade e o bom uso da ferramenta é imprescindível.

Além dos Macs, lá está o Photoshop em absolutamente todas as máquinas. Os ilustradores doiG preferem fazer seus desenhos à mão, usando aquela coisa arcaica chamada de papel. Uma vez que o desenho está pronto, mesas digitalizadoras da Wacom fazem com que o Photoshop para Mac reconheça os traços e capture as imagens. Como já era de se esperar, os retoques e a finalização são feitos no computador da maçã.

Komodo Edit: software livre e gratuito

Cada funcionário tem suas próprias opções de aplicativos, então não há muito o que eu possa dizer sobre isso. Se o cara prefere o software de um ou de outro fabricante, pode escolher livremente, desde que o resultado final seja bom.

O que posso contar é que, ainda que os infográficos do iG sejam majoritariamente construídos em Flash, o HTML5 está ganhando seu espaço. Mas quando eles vão usar o padrão livre da internet? “Sempre que for possível”, responde um dos programadores. Por exemplo, temos oinfográfico que mostra o funcionamento do mais recente show do U2 no Brasil. Se você quiser, pode abrir esse conteúdo interativo no iPad sem macular o aparelho de Jobs com o código-fonte maldito do Flash. Até os vídeos dependem do parâmetro <video> previsto pelo HTML5.

Pelo menos um software livre foi avistado por este intrépido repórter na visita que fiz à sede doiG. Ele se chama Komodo Edit, está disponível para download gratuito no site do fabricante, e serve para programar Perl, Python, JavaScript e Ruby, entre outras linguagens. Inclusive, é um aplicativo para Mac.

Aquilo que funciona

O pessoal do iG é muito tranquilo ao revelar o que funciona para audiência do portal. Talvez você, assim como eu não, imaginasse que imagens da transformação dos astros e estrelas, ricos e famosos, ao longo dos anos não rendessem visitas. Pois saiba que rende, e muito. Tanto que a equipe desenvolveu uma ferramenta interna para gerar esse tipo de infográfico com mais rapidez e de forma automatizada.

De acordo com o Guilhes, o repórter precisa indicar somente onde estão a foto antiga e a foto recente do sujeito. O próprio sistema realiza a tarefa, gerando um código de embed para ser incluído na página em que o conteúdo especial deve entrar.

O mesmo vale para reconstituições de crime. “Dá uma puta audiência”, afirma Guilhes. Segundo o editor, os leitores do iG ficam curiosos para saber como um determinado bandido agiu.

No caso da tragédia em Realengo, por exemplo, os responsáveis pela infografia do iGcorreram até o estúdio da empresa, onde fotografaram cenas do crime. Essas fotos serviriam de referência para as ilustrações. Duas horas depois, o trabalho estava encerrado e o conteúdo especial já estava na capa do portal.

Guilhermes Damian, editor de infografia do iG, recebeu a reportagem do TB

Com agilidade e atenção a alta qualidade, não é por acaso que o iG esteja cada vez mais completo no quesito informação visual. A guinada que o Último Segundo e os demais sites informativos do portal obtiveram nos últimos tempos são reflexo desse trabalho sério, que merece destaque. Minha torcida é para que outros portais percebam a importância do bom jornalismo (gráfico, fotográfico, textual etc) e apostem nisso. No fim das contas, somos nós, leitores, que saímos ganhando.

Fonte: Tecnoblog

André Sanchez

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