A história da câmara fotográfica

Acredite ou não, o conceito por trás da câmara fotográfica existe desde, aproximadamente, 390 a.C. A elegante câmara compacta – que todos conhecemos e de que gostamos – passou por algumas mudanças radicais ao longo da evolução.

O princípio

Os princípios da fotografia “pinhole” ou estonopeica remontam a 390 d.C quando foram observados pela primeira vez pelo filósofo chinês Mo-Ti. Este conceito viria a ser aprofundado por gregos eruditos, tais como Aristóteles e Euclídes, que desenvolveram a câmara obscura: uma caixa ou compartimento com um orifício num dos lados que projeta uma imagem do que a rodeia num ecrã. Inicialmente estas imagens eram esboçadas numa representação precisa do que fora “captado”.

Apenas em 1827 é que os fundamentos da primeira câmara fotográfica foram plenamente estabelecidos. Joseph Nicéphore Niépce, um inventor francês, desenvolveu experiências com “heliografia” ou “escrita do Sol” quando descobriu que não tinha uma mão suficientemente firme para lidar com as marcas exatas da câmara obscura. Fez experiências com várias substâncias que reagiam à luz – como o cloreto de prata – mas acabou por optar pelo betume dissolvido em óleo de alfazema, que foi então aplicado ao peltre, que agia como uma chapa fotográfica. Infelizmente, as suas primeiras fotografias demoravam oito horas a revelar, sendo que as imagens desapareciam por completo logo em seguida.

Das chapas ao filme e não só

Em 1829, Louis Daguerre juntou esforços com Niépce e aprofundou o desenvolvimento das suas experiências. Após uma década de pesquisas, Daguerre propôs um método no qual a imagem era “fixada” numa chapa de cobre prateada. A chapa era polida e revestida em iodo, tornando-a extremamente sensível à luz. Esta chapa era colocada dentro de uma versão primitiva da câmara fotográfica e era exposta. A luz “pintava” a imagem na chapa, que mais tarde era revelada através de um banho de cloreto de prata.

Durante os seguintes 60 anos, foram criadas variantes da chapa fotográfica desenvolvida por Daguerre, cada uma aperfeiçoando a acuidade e o foco da imagem. A maior evolução surgiu quando os solventes de prata sensíveis à luz começaram a ser utilizados para banhar vidro. Porém, é somente em 1889 que o primeiro filme de câmara fotográfica é desenvolvido: com uma base de nitrato de celulose que era flexível e podia ser enrolada. O filme eliminou a necessidade de câmaras escuras portáteis, abrindo caminho para a criação da primeira câmara fotográfica compacta, que mais tarde viria a ser produzida em massa e disponibilizada ao público.

Desde estes primeiros passos no mundo da fotografia, a câmara fotográfica tem vindo a evoluir. As fotografias a cores são agora comuns e, desde 1905, a ideia de reduzir o formato de negativos e desenvolver imagens maiores tem sido objetivo comum dos fotógrafos que utilizam filme. Porém, com o aparecimento da tecnologia digital, o filme passou a ser totalmente dispensável. Os sensores de luz e as unidades de “CCD” permitem descargas elétricas a cores, sombras e tons, que são apresentados através de pixéis num monitor integrado.

Apesar de a câmara fotográfica ser um artigo comum para a maioria das pessoas, ainda pode ser fascinante e divertido fazer uma câmara pinhole e recriar as experiências dos primeiros pioneiros no mundo da fotografia.

Fonte: Fotografia-DG (Diogo Guerreiro)

André Sanchez

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