Novidades querem estimular a inovação em universidades brasileiras

Nervos à flor da pele, e projetos cercados de segredos. Jovens designers e engenheiros ansiosos. O clima num dos hotéis em Nashville era de grande expectativa para estudantes norte-americanos de várias universidades: eles participavam de um dos muitos concursos realizados entre instituições de ensino país afora. Aqui, em Nashville, entre chapelões de cowboy e bares que mais parecem saídos de filmes de Hollywood, as ideias iam de um carro super revolucionário até um módulo para pouso lunar. Disputas como essa fazem parte da base de inovação do país mais empreendedor do planeta. E explicam, em parte, como tantas tecnologias novas surgem nos Estados Unidos, fazendo com que o país se mantenha muito à frente dos outros na competição global por inovação.

Vários dos projetos mostrados aqui foram desenvolvidos com um software de modelagem chamado Solid Edge. E uma das ideias da empresa que o fabrica é tentar reproduzir no Brasil um pouco do clima de competição entre estudantes que nós vimos aqui, em Nashville. Para começar, o software está sendo oferecido a estudantes e professores brasileiros sob a forma de “trial”, para uso gratuito por um período de 45 dias. De acordo com Jon Heidorn, vice presidente de marketing para a América Latina, a ideia é fazer com que os futuros profissionais se familiarizem com a ferramenta. Ao fazer o download do programa, os estudantes também têm acesso a dicas, além de links para mídias de treinamentos online e notícias exclusivas. “Também estamos fazendo competições entre as universidades para estimular o uso do software. Esta é uma maneira de incentivar a inovação e criação no Brasil”, comentou. “Estamos querendo educar o mercado brasileiro para que daqui a 5 ou 10 anos esta tecnologia se torne ainda mais popular”, completou.

A ferramenta acaba de ganhar novidades. Uma delas foi a adição do recurso multi-body, por exemplo, apresentado nesta terça-feira (12/06). A expectativa é que os estudantes e mestres brasileiros consigam explorar ainda mais o potencial do software daqui para a frente, como maneira de “tirar do papel” suas invenções. Dan Siqueira, gerente de marketing da Siemens para a América do Sul, afirmou que a companhia está fechando parcerias com importantes instituições no Brasil e espera oferecer cursos de especialização em Solid Edge. “Queremos iniciar um curso piloto e esperamos que se espalhe por todo o país. O país precisa de pessoas qualificadas para poder criar”.

Mais inovação

Os executivos acreditam que estas iniciativas podem ajudar a mudar o cenário de inovação no país, que caminha a passos lentos, especialmente dentro do mercado de patentes. Para se ter ideia, em 2010, foram concedidas 3.250 patentes, conforme relatório da OMPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual). E este é um número bem pequeno se compararmos com outros países como Estados Unidos, por exemplo, que contabilizaram 509 mil pedidos no mesmo período. Aliás, até mesmo os pedidos de patentes que estão parados no INPI são infinitamente menores do que os que esperam aprovação nos Estados Unidos. Atualmente o norte-americanos têm mais de 700 mil patentes esperando liberação contra 173 mil no Brasil. Ou seja, a criação de novos projetos na terra do Tio Sam é infinitamente maior que na terra das novelas, do samba e do futebol.

Obviamente, a falta de inovação no Brasil também se dá por outros motivos, e a burocracia é um deles. Aqui, o tempo de aprovação das patentes é longo. Nos Estados Unidos são necessários apenas três anos, enquanto que no Brasil o prazo é de oito anos. O motivo de tanta demora é simples: o instituto brasileiro tem apenas 233 examinadores contra mais de 6 mil nos Estados Unidos.

“Com essa quantidade de profissionais não dá para fazer milagre. Estamos aguardando a aprovação para um concurso público de examinadores e também iremos criar uma escola de formação destes profissionais. Mas, uma pessoa demora até três anos para se formar, por isso que a meta de atingir 700 examinadores só deve ser cumprida em 2015”, conta a diretora substituta do INPI, Liane Elizabeth Caldeira Lage. “Fora isso também queremos reduzir o prazo de espera para quatro anos até 2015”, completa.

Para agilizar o processo do registro de patentes, o instituto vai estabelecer filas prioritárias de exames, de acordo com a área mais estratégica para o desenvolvimento do país. Além disso, segundo Liane, o INPI deve inaugurar um sistema que dará acesso às informações dos pedidos online. A partir de 2012, os inventores poderão acompanhar tudo pelo site, desde o depósito da patente até o exame final.

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