Design gráfico: impressos da era digital

O computador de uso pessoal existe desde a década de 70. Assim como em muitas áreas, no
campo do design gráfico ele foi aos poucos ganhando importância como ferramenta de criação,
até se tornar hoje um item quase imprescindível para muitos profissionais, e se tornar alvo de
muitas críticas também. Mais do que diminuir o tempo necessário no desenvolvimento de um
trabalho, o computador deu ao designer total controle sobre os processos anteriores à
impressão. Ou seja, ganhou mais autonomia, e também tornou desnecessários vários cargos
auxiliares.
No Brasil, o uso do computador e de outras tecnologias digitais só se tornou realidade com
abertura do mercado e com a globalização, nos anos 90, década que marcou a consolidação
de tecnologias como o celular, o PC, o email, a internet e o CD. Foi também uma década de
crescimento do campo do design gráfico no Brasil, devido ao aquecimento da economia (e a
crescente importância do marketing e do branding) com a entrada de concorrentes estrangeiros
e com a estabilização da moeda nacional.
O desenvolvimento das tecnologias de impressão possibilitaram o uso de mais cores em
trabalhos. As novas mídias e os softwares gráficos de edição fizeram surgir novas linguagens
visuais, com o uso de sobreposições, sombras, tridimensionalidade, movimento. O número de
fontes tipográficas existentes aumentou rapidamente. Do exterior, vieram influências como o
punk, o pop, a música eletrônica, o New Wave, além de nomes como Neville Brody, Philippe
Starck, Milton Gleiser e David Carson. O design gráfico vinha se tornando uma atividade mais
autoral.
O lado negativo do uso das novas tecnologias: exageros formais, banalizações (como foi o
caso do uso freqüente de elipses na época) e ausência de conceitos. Pode-se citar como
fatores determinantes: limitações criativas impostas pelo uso excessivo do computador, a
diminuição dos prazos e a velocidade da globalização, e o surgimento de uma mão-de-obra
barata e não especializada.

Esse é um exemplo de como as coisas costumam se inverter: antes do computador buscavase
a precisão industrial, depois dele, a imprecisão artesanal. Essa fonte, de Cláudio Rocha, um
dos editores da revista Tupigrafia, foi feita para ser utilizada pelo escritor Millôr Fernandes em
seus artigos de jornais e revistas.
Perplexitiva permite variar não apenas as formas das letras, mas também suas cores. A fonte
apresenta caracteres em diferentes perspectivas o que pode causar primeiramente espanto,
mas ao ser aplicada em texto ganha um toque de bom-humor. Seu uso é mais difícil do que
aparenta, pois exige análise das combinações de tipos e cores. É interessante observar que
seu desenvolvimento dificilmente seria viável, ou pelo menos seu uso seria bem mais difícil,
não fosse o auxílio de softwares de computador. O mercado tipográfico e a comercialização de
fontes, o que provavelmente não é o caso desta, pois tem um uso muito específico, também
não seriam tão desenvolvidos quanto são hoje, não fosse o auxílio e os benefícios da internet.

Funcionalismo (estilo internacional no mundo contemporâneo)
O Design brasileiro no início do século XXI segue a mesma tendência que todo o Design
mundial pós-moderno, a quebra dos paradigmas formais, hibridização das estéticas e
tendências.
É a superação e fusão de toda experiência estética anterior, não é mais possível estabelecer
uma unicidade formal para a produção contemporânea. A indústria une técnicas de produção
de ponta ao artesanato, mistura metais a materiais orgânicos, aplica decoração sobe a forma
funcinal, mescla art nouveau, art deco, funcionalismo, design escandinavo, pop art, lúdico,
além de incorporar características estéticas típicas de cada região do país.
A diversidade produtiva é imensa, no mercado de eletro-eletrônicos há uma constante
renovação estética, conseqüência do forte styling aí presente, porém em outros mercados,
como o de mobiliário, um pouco menos vulnerável ao styling, há o predomínio de uma
linguagem, sobretudo nas classes mais altas. Uma estética muito próxima do estilo
internacional, derivada do funcionalismo, domina principalmente o mercado de exportação, tem
grande aceitação simplesmente pelo fato de dificilmente desagradar o consumidor. Portanto é
um grande desafio se destacar num nicho relativamente comportado como este.
A indústria nacional encara esse desafio com investimentos em P&D, passa a contratar
designers, e apresenta excelentes resoluções formais. O mobiliário brasileiro se encaixa bem
nos padrões internacionais e ainda se destaca em peculiaridades formais graças à criatividade
profissional e a grande influência de referências do artesanato e cultura nacionais.

Fernando Prado formado em design pela Faap iniciou sua carreira na empresa Lumini,
fabricante de luminárias. Lá criou diversas luminárias que ganharam fama e destaque no
mercado nacional e internacional.
Sua mais famosa criação é a luminária de teto Bossa, venceu diversos prêmios de Design
entre eles o troféu Gold da iF Product Design Award de 2009. Essa luminária é uma fabulosa
resposta ao mercado internacional, fabricada em alumínio com acabamentos em branco, preto
ou titânio, a acromaticidade é típica do estilo internacional, oferece ao usuário a possibilidade
de controle do efeito luminoso através de uma interação mecânica. Movimentando‐se a
cúpula contrabalançada por um anteparo côncavo no seu interior, aproxima‐o e afasta‐o da
lâmpada passando de uma iluminação direta para uma indireta. Ao contrario da tendência do
mobiliário moderno, embarcando tecnologias elétricas e eletrônicas, a Bossa através deste
mecanismo extremamente ingênuo celebra sua intrínseca ligação entre forma e função.

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