Introdução ao design gráfico.

Introdução ao design gráfico

A história do design gráfico, desde as origens da humanidade até o aparecimento da web e da Internet.

Por Rafael Martinez

O ser humano sempre teve a necessidade de se comunicar com seus semelhantes, até tal ponto que podemos afirmar que se o homem é o ser mais avançado da natureza, é devido, em grande parte à facilidadeque teve para fazer partícipe aos demais de suas idéias de uma forma ou de outra.

As primeiras formas comunicativas foram mediante elementos visuais. Antes de desenvolverem capacidades de expressão mediante a linguagem falada, os homens utilizaram seu corpo para comunicar aos demais estados de ânimo, desejos e inquietudes através de intenções, expressões e signos, que com o tempo adquiriram a condição de “linguagem”, ao converter-se em modelos de comunicação.

Embora posteriormente a linguagem falada passara a ser o meio de intercâmbio de informação mais direto, a linguagem visual continuou tendo um importante peso nas relações comunicativas, sobretudo a partir do uso de diversos materiais e suportes como meios de “modelar” mensagens visuais, como demonstram uma infinidade de desenhos em pedra e pinturas rupestres que chegaram aos nossos dias, nas quais representam elementos naturais, atividades cotidianas e diferentes signos artificiais com significado próprio.

A representação de idéias mediante gráficos teve seu maior avance com o aparecimento das linguagens escritas, que permitiram expressar cadeias estruturadas de pensamentos mediante um conjunto de elementos gráficos de significado próprio dispostos segundo uma estrutura definida, capazes de transmitir mensagens entendíveis pela comunidade.

Estas linguagens escritas estavam baseadas na representação de elementos tomados da natureza, aos que se atribuía uma interpretação particular, e também um conjunto artificial de símbolos inventados: os alfabetos. Cada um destes signos isolados tinha às vezes um significado incerto, porém unido a outros, permitiam representar graficamente a linguagem falada por cada povo ou cultura.

Como suporte físico, foi utilizada inicialmente a pedra, porém, rapidamente se buscaram outros tipos de materiais que permitiram uma maior facilidade de uso e uma maior portabilidade, como os papiros ou os pergaminhos.

Também se começaram a usar diferentes tipos de pigmentos naturais para dar um maior colorido e expressão às obras escritas e composições artísticas, e a dispor os diferentes elementos textuais e gráficos de forma harmoniosa e equilibrada, já que se apreciou que com isso se ganhava poder comunicativo, clareza e beleza. Isto pode ser apreciado na confecção dos incunábulo realizados nos monastérios, nos que se observa de forma clara a importância da “FORMA” (design) para transmitir uma mensagem.

Posteriormente, Johann Gutenberg inventou a imprensa, artefato capaz de reproduzir em grandes quantidades e de forma cômoda um original, o que tornou possível que os documentos impressos e a mensagem que continham fossem acessíveis a um grande número de pessoas.

Logo começaram a aparecer imprensas que reproduziam todo tipo de obras, cada vez mais elaboradas. Começaram-se a usar novos materiais como suporte, novas tintas e novos tipos de letras, originando o aparecimento de profissionais especializados em seu manejo, os tipógrafos e os impressores, talvez os primeiros designers gráficos como tal, já se encarregavam de compor e construir os diferentes elementos que formariam uma obra de forma que resultasse lógica, clara, harmoniosa e bela.

Outro grande impulsor do desenvolvimento do design gráfico foi a Revolução Industrial. Surgiram as fábricas e a economia de mercado, um grande número de pessoas se deslocou às cidades para trabalhar, aumentaram as lojas e os comércios e começou a concorrência entre empresas por se tornarem uma parte do mercado. Com isso, apareceu e se desenvolveu uma nova técnica comercial, a publicidade, encarregada de fazer chegar aos consumidores mensagens específicas que lhes convencessem de que um produto dado era melhor que outros análogos.

O desenvolvimento da publicidade trouxe consigo um desenvolvimento paralelo do design gráfico e dos suportes de comunicação. Havia que convencer ao público das vantagens de um produto ou marca, e para isso nada melhor que mensagens concisas, carregados de componentes psicológicos, com desenhos cada vez mais elaborados, que chegava ao maior número possível de pessoas. O como se transmitia a informação chegou inclusive a superar em importância à mesma informação transmitida.

Não se tratava já de apresentar mensagens visuais belas, e sim, efetivas, que vendiam, e para isso, não duvidaram em realizar grandes investimentos, tornando possível um grande avance nas técnicas de design e no aparecimento de profissionais dedicados exclusivamente a desenvolve-las e coloca-las em prática: os designers gráficos.

No século XX, surgiram os computadores, máquinas em um princípio destinadas a um grupo reduzido de técnicos e especialistas, mas que pouco a pouco foram ganhando popularidade e que com o aparecimento do computador pessoal se estenderam a todos os ambientes e grupos sociais.

O computador é útil porque permite o uso de programas informáticos capazes de realizar uma infinidade de tarefas. Porém, estes programas têm uma estrutura interna muito complexa, que na maioria das vezes vai mais pra lá dos conhecimentos que possuem os usuários dos mesmos.

Isto deu lugar à introdução de uns elementos intermediários, denominados “Interfaces de Usuário”, cuja missão era isolar o usuário das considerações técnicas e processos internos dos programas, permitindo-lhes realizar tarefas com eles por meio de uma “linguagem” intermediária, mais fácil de ser entendida pelo usuário.

À princípio, estes programas se manejavam de forma textual, mediante comandos crípticos, que somente “experts” na matéria podiam entender. Porém, com o acesso à informática de todo tipo de pessoas tornou-se necessário uma simplificação no manejo das aplicações, surgindo o conceito de “Interface Gráfica de Usuário” em toda sua extensão, como um meio capaz de tornar entendíveis e usáveis estas aplicações através de elementos visuais comuns, que apresentados na tela do computador permitiam ao usuário médio realizar as tarefas próprias de cada programa concreto.

O trabalho de desenhar estas IGU correspondeu inicialmente aos próprios programadores que desenvolveram as aplicações, porém logo foi visto que seu conceito de interface de usuário não correspondia com a que necessitavam os usuários finais.

Faltavam profissionais de design que se encarregariam de conceber as interfaces, porém os designers gráficos clássicos não estavam acostumados a construir obras com capacidades de interação e navegabilidade, pelo qual tiveram que se reciclar, aprendendo conceitos e funcionalidades novas.

Com a entrada em cena da Internet e as páginas web, tornou-se ainda mais patente a defasagem dos designers gráficos com o novo meio. Faltava agora desenhar e construir interfaces de usuário muito especiais, condicionadas a pequenos tamanhos de arquivo e a um meio concreto de apresentação, os navegadores web, que impunham sérias limitações ao design, que necessitavam sistemas de navegação entre páginas simples e entendíveis.

Se a isto somamos a necessidade dos criadores de interfaces web de conhecer a fundo diferentes linguagens de marcas e de programação (HTML, JavaScript, DHTML), é evidente que era necessária o aparecimento de um novo profissional, o webdesigner, híbrido entre o designer gráfico clássico e o programador de aplicações para Internet.

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